Escultura de bronze, representando um jovem varonil, nu e em pé. Foi descoberta, ocasionalmente, em São Manços, nas proximidades de Évora, na Herdade das Oliveiras e Carvalho, durante a execução de trabalhos agrícolas, em 1976.

O jovem está representado com a cabeça voltada para a direita e para cima, com os cabelos dispostos em ondas desordenadas, presos por uma fita (taenia) que se entrelaça no alto da cabeça, donde sai uma madeixa para o meio da testa. O rosto é imberbe, com olhos grandes e bem abertos, com as pálpebras em meia-lua, boca pequena e entreaberta com lábios grossos. O torso é atlético, os braços estão afastados do corpo e estendidos para a frente, com as mãos abertas e a perna direita ligeiramente avança com a esquerda flectida, num movimento de representação escultórica conhecido como contrapposto.

Corresponde aos protótipos do segundo classicismo, do escultor grego Praxíteles, com grande difusão no Império Romano nos períodos helenístico e imperial. Túlio Espanca colocou a hipótese de corresponder a um Apolo e António Pinto interpreta, com interrogações, como uma representação dum Fauno ou Sátiro, embora a escultura do jovem não apresente os pavilhões auriculares pontiagudos.

É uma pequena estatueta, representando o corpo ideal de um jovem, de que constam vários exemplos na Hispânia, como o Baco Adolescente de Aguilar de la Frontera, uma peça decorativa de villa, que apresenta semelhanças com este exemplar. A sua boa qualidade plástica e a excelente fundição oca, levam a considerar que foi executada em oficinas especializadas, provavelmente em Roma.
Luís Jorge Gonçalves e Trinidad Nogales Basarrate

BIBLIOGRAFIA

Espanca (1976), Túlio, “ Estatueta de Bronze – Deus Apolo?” in A Cidade de Évora, Boletim da Comissão Municipal de Turismo, n.º 59, pp. 32-33. Évora: Câmara Municipal de Évora, 1976.

Pinto (2002), António José Nunes. Bronzes Figurativos Romanos de Portugal. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação para a Ciência e Tecnologia, 2002

Catálogo da Exposição Escultura Romana do Museu de Évora. Lisboa: Instituto Português de Museus e Museu de Évora, 2005